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Hiperidrose: o que você precisa saber sobre essa doença!

Índice

Suar é um mecanismo fisiológico (normal) do nosso organismo, tem a função de manter a temperatura corporal estável. Imagina se durante um exercício físico o corpo aquecesse demais, como nos sentimos com 40°C? Na tentativa de baixar a temperatura, o corpo transpira para dissipar o excesso de calor.

Outros fatores que podem aumentar a temperatura, em situações normais do nosso dia a dia, são:

  • Temperatura externa elevada;
  • Situações de estresse;
  • Ansiedade;
  • Consumo de bebidas ou alimentos quentes.

A hiperidrose é quando ocorre o aumento do suor, sem que haja uma razão funcional para isso, independente da situação ou do clima.

Apesar desse distúrbio não ser uma doença propriamente dita (que não oferece risco de vida se não tratada), é uma desordem que pode implicar de forma muito significativa na qualidade de vida de quem a tem. Afeta negativamente os diversos setores - profissional, pessoal, emocional e até mesmo íntimo das pessoas. Em casos mais severos, a hiperidrose pode bloquear uma condição inerente ao ser humano: o ato de transmitir afeto ao outro (dar as mãos, abraçar).

Você sofre com esse problema ou conhece alguém que sofre? Então informe-se aqui o que você precisa saber sobre a hiperidrose!

O que causa a hiperidrose?

A hiperidrose pode ter dois tipos. O primeiro deles é a hiperidrose primária. Nesse caso, não há nenhuma outra doença que resulte no excesso de suor, ou seja, é um distúrbio originário do sistema termo-regulador do corpo.

Na maioria dos casos primários, a origem da hiperidrose é desconhecida, em alguns casos tem associação de causa genética. Pode acontecer em áreas específicos do corpo, sendo alguns deles:

  • Rosto - hiperidrose craniofacial;
  • Mãos - hiperidrose palmar;
  • Axilas - hiperidrose axilar;
  • Pés - hiperidrose plantar.

A hiperidrose primária costuma aparecer durante a infância e, segundo a literatura atual, estima-se que esse problema afeta cerca de 1 a 3% da toda a população mundial. Infelizmente menos da metade dos afetados chegam até os consultórios médicos. 

O segundo tipo de hiperidrose é a secundária, que como o nome sugere, está relacionado a uma outra doença que provoca o excesso de calor. 

Geralmente, esse segundo tipo de hiperidrose aparece ao longo da vida e, nesse caso, o tratamento deve ser voltado para a doença de base. 

Algumas doenças que podem causar a hiperidrose secundária são:

  • Obesidade;
  • Doenças cardíacas;
  • Distúrbios hormonais (tireoidianos);
  • Lesões na medula espinhal;
  • Tumores;
  • Infeções e doenças infecciosas que cursam com febre.

Diagnóstico da hiperidrose

Se você está sofrendo com o suor excessivo, o primeiro passo para diagnosticar a hiperidrose é procurar um médico cirurgião torácico. Quando não tratada da maneira correta, a hiperidrose pode trazer problemas significativos como medo ou vergonha de estar em locais públicos, insegurança no trabalho ou em relações pessoais, depressão, entre outras retrações sociais.

Geralmente uma anamnese e exame físico são suficientes, não havendo um exame específico para determinar ou graduar o suor. Durante a consulta, o paciente será avaliado, levando em consideração fatores sobre a transpiração no seu dia a dia - quando e como ele acontece, a localização e intensidade, por exemplo. Questionário de qualidade de vida é uma ferramenta útil no entendimento do quanto essa doença perturba o paciente.

Para fins de diagnóstico, os critérios são:

  • Transpiração intensa e excessiva há, pelo menos, seis meses;
  • Suor corporal sem motivos aparentes;
  • Transpiração tão intensa que começa a atrapalhar as atividades rotineiras e as relações sociais;
  • Histórico familiar, com parente de primeiro grau que sofre do mesmo problema.

Para determinar se a hiperidrose tem causa secundária a outras doenças, pode ser necessário exames complementares direcionados à suspeita clínica.  

É importante ficar atento aos seguintes sintomas:

  • Excesso de suor combinado com perda de peso significativa;
  • Suor excessivo durante o sono ou durante repouso;
  • Transpiração excessiva causada por febre;
  • Transpiração excessiva acompanhada de dor ou aperto no peito, batimentos acelerados e falta de ar.

Nesses últimos casos, procure um pronto atendimento imediatamente!

Opções de tratamento para a hiperidrose

Após ser diagnosticado com a doença, o cirurgião torácico irá indicar o melhor tratamento para o paciente, de acordo com o seu perfil. Há várias opções, pois não há nenhum que seja 100% recomendado, devendo ser discutido entre o médico e o paciente os prós e contras de cada tratamento.

As principais opções de tratamento para a doença são:

Utilização tópica de produtos dermatológicos

Se o suor excessivo acontece nas axilas, uma solução simples pode ser o uso de antitranspirantes especiais. Cremes são aplicáveis em qualquer superfície da pele.

Esses produtos contém sais de alumínio e são os mais indicados para essa situação. Isso porque esse elemento se dissolve e forma uma película protetora na pele, que durante algumas horas faz com que as gotículas de suor sejam liberadas de forma menos intensa.

PRÓS: fácil utilização, portáteis para reutilização durante o dia, possibilidade de compra em quantidade de estoque.

CONTRAS: uso diário, efeito frequentemente curto, não costuma secar efetivamente, custo razoável pelo frequente consumo, ação localizada somente na área aplicada.

Medicamentos

Atualmente, existem alguns medicamentos na forma de comprimidos que podem ser tomados para o controle do suor excessivo. 

A ação anticolinérgica desses medicamentos é impedir o funcionamento do neurotransmissor que estimula as glândulas sudoríparas - a acetilcolina.

Como os comprimidos são absorvidos para circulação sanguínea, a ação é sistêmica, sendo uma boa opção para os pacientes que têm hiperidrose mais generalizada, em múltiplas áreas do corpo.

Os efeitos colaterais são comuns e dependem da dose utilizada. Podem causar cefaléia, constipação, tontura, além da diminuição da quantidade dos fluidos gerais do corpo, como lágrimas, urina, saliva, entre outros. 

PRÓS: fácil utilização, ação em múltiplas áreas do corpo, portáteis para transporte/viagens, duração do efeito pode ser sustentado até a próxima dose.

CONTRAS: uso diário, efeitos colaterais, custo razoável pelo frequente consumo.

Iontoforese

Esse método consiste em colocar a área a ser tratada submersa em água enquanto correntes elétricas de baixo nível são emitidas. Essas correntes elétricas não doem e não costumam ser sentidas pelo paciente. Esse tipo de terapia sugere desativar temporariamente as glândulas sudoríparas, responsáveis pelo suor.

Essa opção só pode ser indicada para pessoas que sofrem de hiperidrose nas mãos e nos pés, não sendo tecnicamente aplicável nas axilas ou face por não ser possível manter essas regiões submersas na água.

CONTRAS: efeito pouco comprovado.

Botox

Essa é uma alternativa para casos muito selecionados de hiperidrose. 

A toxina botulínica age localmente sobre as glândulas sudoríparas da área injetada bloqueando / diminuindo a produção de suor. 

Geralmente, os efeitos são sentidos a partir da segunda semana de tratamento e duram no máximo 4 a 6 meses. 

PRÓS: aplicações semestrais, sem efeitos colaterais.

CONTRAS: aplicações múltiplas e dolorosas, alto custo, restrito a hiperidrose localizada.

Simpatectomia torácica (cirurgia)

A cirurgia é o único método de tratamento definitivo e indicado em casos selecionados de hiperidrose localizada nas mãos e/ou axilas.

O procedimento é realizado sob anestesia geral, por vídeo, mediante um pequeno corte de 1cm em cada lado do tórax. O objetivo consiste em seccionar os nervos simpáticos que transmitem a ação para as glândulas sudoríparas, impedindo que as áreas correspondentes (mãos e axilas) recebam o comando de suar. 

A cirurgia tem baixos riscos operatórios, demanda uma internação curta em média de um dia, sendo possível receber alta hospitalar por vezes no mesmo dia da operação, após algumas horas de recuperação anestésica.

Mas apesar de ter bom resultado e grande quantidade de pacientes satisfeitos, um importante efeito colateral pode acontecer após a cirurgia: a sudorese compensatória. Isso significa que outra área do corpo que antes não suava, passa a suar. Muitos estudos têm sido feitos, mas esse efeito compensatório não pode ser exatamente previsto - não sabemos qual paciente terá, para qual outra área irá o suor ou qual intensidade.

A decisão do tratamento é absolutamente individualizada, cabendo ao cirurgião avaliar e discutir a melhor opção com o paciente.

PRÓS: definitivo, efeito de secar na área operada.

CONTRAS: risco indeterminado de sudorese compensatória.

Dra Niura Hamilton- CRM 186227
Dra. Niura Hamilton
CRM 186227 | RQE 85655
Cirurgiã torácica formada pela Universidade de São Paulo (USP - HCFMUSP), com pós-graduação lato senso em Cirurgia de Parede Torácica pela USP.
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